https://www.wheredidshegothistime.com Days 13-15 Yekaterinburg, Russia

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© Filipa D'Oliveira 
Exploring the world with Canon & GoPro.

© Filipa D'Oliveira 

A explorar o mundo com Canon & GoPro.

Days 13-15 > Yekaterinburg, Russia

December 3, 2018

 

   (EN)  The places from which you expect the least are the ones that surprise you the most. That is the summary of my experience in Yekaterinburg.

  Here you find yourself exactly in Russia's European/Asian border. Let's say it was the "

least beautiful city so far but the one with some of the best moments ;)

 

   (PT)  Quando as expectativas são mais baixas é quando te surpreendes mais. Esse é o resumo da minha experiência em Ekaterinburgo.

  Aqui encontras-te exatamente na fronteira Russa entre a Europa e a Ásia. Digamos que foi até agora a cidade menos bonita que visitei mas na qual vivi alguns dos melhores momentos ;)

 

 

 

 

   (EN)  On the last pictures you can see the Church on Blood. A century ago, starting in 1917, Russia lived some pretty dark times. The Bolshevik revolution brought so much death with it... One of the biggest tragedies, dated July 16th 1918 and reminded until today, was the cold blood murder of the royal family Romanov (Tzar Nicholas II, his wife, five children and four faithful employees).

  About 8 years ago I read a book that became one of my favourites - The Kitchen Boy, by Robert Alexander. This book, although it is a fiction based on real facts, is a detailed report of every single moment of what that bloody night and their previous days/months in captivity might have been. The "kitchen boy" was the only survivor and he narrates, at the age of 90, the darkest times of his life. There was actually a 14 year old boy who worked in the kitchen and was sent away moments before the murder - nobody has ever heard of him again. I remember crying while reading it and thinking it couldn't have happened in real life.

  Well, it did. After going to the museum under the Church on Blood I couldn't eat for hours. It was in that exact place that everything happened, on that same ground.

  As one of the loveliest friends I've made said: "Russian history is written in blood. We had war and then a break. After that there was a revolution and then another break. Then war again and we are now on a break but we don't know what's coming next."

  Just so you understand the difference: the First World War took them almost 2 million of lives. The Bolshevik/October revolution (a civil war)? Around 10 million! 

 

   (PT)  Nas últimas fotografias podes ver a Igreja Sob Sangue. Há um século atrás, começando em 1917, a Rússia viveu tempos bem negros. A revolução dos Bolcheviques derramou tanto sangue... Uma das maiores tragédias, datada de 16 de Julho de 1918 e relembrada até hoje, foi o assassinato a sangue frio da família real Romanov (o Tzar Nikolai II, a sua mulher, cinco filhos e quatro os seus leais serventes). 

  Há cerca de 8 anos atrás li um livro que é até hoje um dos meus preferidos - The Kitchen Boy, de Robert Alexander. Este livro, apesar de ser uma ficção baseada em fatos reais, é um relato detalhado do que essa noite sangrenta e os dias/meses em catividade podem ter sido. O rapaz da cozinha foi o único sobrevivente e é ele que narra , aos 90 anos, alguns dos piores momentos da sua vida. Existia na realidade um rapaz de 14 anos que trabalha na cozinha e que foi mandado embora momentos antes do assassinato - nunca mais ninguém soube dele. Lembro-me de chorar enquanto o lia e de pensar que tal coisa não poderia ter acontecido na vida real.

  Mas aconteceu. Depois de ir ao museum que existe em baixo da Igreja Sob Sangue não consegui comer durante horas. Foi ali que tudo aconteceu, naquele mesmo chão.

  Como um dos amigos mais queridos que fiz disse: "A nossa história é escrita em sangue. Tivemos guerra e depois uma pausa. A seguir veio a revolução e outra pausa. Depois guerra outra vez e estamos agora numa pausa mas não sabemos o que vem aí."

  Só para que percebas a diferença: A primeira guerra mundial tirou-lhes quase 2 milhões de vidas. A revolução dos Bolcheviques (uma guerra civil)? Cerca de 10 milhões!

 

 

 

 

 

 

   (EN)  (Now try to put aside these atrocities because I'll share with you some of the best memories I'll take with me!)

  After taking a first walk around the city I went to the hostel and I entered the bedroom at the same time as one of my roommates. In less than 3 minutes she was talking to me. I couldn't believe my eyes and my ears. After two weeks of sharing rooms with at least two dozens of people, there was one trying to talk with me!

  Sveta (meaning "light" in Russian) couldn't speak English but she didn't allow that to stop her. She is one of the happiest people I've ever met. Doing some eating and drinking gestures she called me to join her in the living room. She offered me food, tea, showed me her children... (I was astonished because she looked like my age and she had already 3 grown kids, then I realized Siberian people look WAY younger!)

  After a while Sergey arrived from work. Sergey was the saviour, he was able to communicate pretty well both in Russian and English so he was my anchor! :) Then Ernst (Hemmingway) and Gena (not the crocodile) joined us and later Anastasia and Harold (the 'almost only foreigner', from the Netherlands) came as well. They received me with arms wide open and they were all putting so much effort to communicate with me! I was finally meeting some (pretty amazing) natives - and confirming that Dutch people are great! ;D

  I must tell you I learned a lot with all of them. And the most important thing was, again, how generalizations are wrong! ;)

  It is the most generous nationality I've met so far. When they let you in (and going through Siberia helped me on that) they are the kindest, funniest and loveliest people.

 

  These friends I've made in Yekaterinburg made me fall in love with the Siberian kind.

  I've only spent 2 nights in this family-hostel called "Nikolskiy" and the second one was as amazing as the first. Svetlana brought sushi for the whole crew and soon we had one more member - Dennis (another rare English expert ;)

  On these nights we drank pretty good Russian wine & Russian beer and I came with a heavier backpack. Sergey wanted me to try every single national thing so he gave me a can of kil'ka (a type of fish with tomato sauce) and a juice from his company; Harold took me to this typical Russian food place for a great last meal; Sveta gave me some really cute socks her grandmother (babushka) made and Anastasia gave me cookies for the way, some typical Russian hearings and she still took me to the train station, paid for the taxi and made sure I was in the right carriage.

  Three words: sweetest people ever. ♥

 

  I'll leave you with pictures of great moments, great souls and the best toilet in the world.

 

   (PT)  (Agora tenta pôr de parte as atrocidades porque vou partilhar contigo algumas das memórias mais bonitas que levo comigo!)

  Depois de dar a primeira volta pela cidade voltei para o hostel e entrei no quarto ao mesmo tempo que uma das minhas colegas. Em menos de 3 minutos ela estava a falar comigo. Não conseguia crer no que via e ouvia. Depois de duas semanas a partilhar quarto com pelo menos duas dezenas de pessoas, uma falou comigo!

  A Sveta (que significa luz em Russo) não falava Inglês mas não deixou que isso a parasse. A melhor forma de a descrever é: feliz. Ela é a pessoa mais feliz que alguma vez conheci. Com alguns gestos de "comer e beber" convidou-me para me juntar a ela na sala de estar. Ofereceu-me chá, comida, mostrou-me os seus filhos... (Fiquei boquiaberta porque parecia ter a minha idade e mostrou-me 3 filhos já crescidos, foi aí que me comecei a aperceber que as pessoas da Sibéria parecem BEM mais novas!)

  Passado um pouco foi a vez do Sergey de chegar do trabalho. O Sergey foi o meu salvador, era o único que falava bem Russo e Inglês! Mais tarde juntaram-se o Ernst e o Gena e depois a Anastasia e o Harold (o 'quase único estrangeiro' no hostel, da Holanda). Receberam-me de braços abertos e esforçaram-se tanto para comunicar comigo! Estava finalmente a conhecer nativos (e dos bons!) e a confirmar que os holandeses são impecáveis! :D

  Tenho de dizer que aprendi muito com todos eles. E o mais importante foi, mais uma vez, o quão erradas são as generalizações! ;)

  Foi a nacionalidade mais generosa que que conheci até hoje. Quando te deixam entrar no seu círculo próximo (e tive de passar pela Sibéria para o sentir) são as pessoas mais queridas, engraçadas e amáveis.

 

  Os amigos que fiz em Ekaterinburgo deixaram-me apaixonada pelo povo Siberiano. Passei apenas duas noites neste hostel-família chamado "Nikolskiy" e a segunda foi tão boa como a primeira. A Sveta trouxe sushi para o pessoal todo e em breve tínhamos mais um membro - o Dennis (outro raro bem falante de Inglês ;)

  Nessas noites bebemos vinho & cerveja Russos e ainda saí de lá com a mala mais pesada do que quando cheguei. O Sergey queria que eu experimentasse tudo o que é nacional então deu-me uma lata de kil'ka (um peixe em calda de tomate) e um sumo da companhia onde trabalha; o Harold levo-me a um lugar típico onde se come bem e barato; a Svetlana deu-me umas meias super fofinhas que a avó (a babushka) dela fez e a Anastasia deu-me bolachas para o caminho, uns brincos típicos da Rússia e ainda me levou à estação de comboios, pagou-me o táxi e fez questão de me pôr dentro da carruagem.

  Em poucas palavras: pessoas mais queridas do mundo. ♥

 

  Deixo-te com fotografias de momentos lindos, de almas lindas e da melhor casa de banho de sempre.

 

 

 

 

 

 

 

    (EN)  With love from your "Portugalia podruga" (friend),
  Filipa ;*

 

   (PT)  Com amor da "podruga (amiga) de Portugalia",
  Filipa ;*

 

 

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